terça-feira, 16 de agosto de 2016

Prosperidade e Alquimia XVII



Prosperidade e Alquimia XVII

Conceitos

Para se entender a Alquimia é preciso entender que o mundo que se percebe é puramente mental. Tudo é uma projeção da mente tentando entender o significado do que está dentro dela. Todos os procedimentos de laboratório dos alquimistas tinham esse objetivo, mesmo que não percebessem. Decifrar a natureza da matéria implicava inevitavelmente em entender a si mesmo. Tudo o que existe é uma abstração mental de uma Mente Única. Os alquimistas sabiam que este era o segredo dos segredos e que deveria ser tratado com muito cuidado. Por esta razão os tratados são obscuros. Era uma forma de proteger o conhecimento e a si mesmos. Exigiria um certo nível de abstração para poder ser decifrado.

Testavam na matéria (química) para poder sair da Matrix. De certa forma anteciparam em séculos o próprio filme. No filme o telefone toca para se sair da Matrix e os alquimistas manipulavam os elementos para conseguir o mesmo. Quando entendiam o funcionamento destes saiam da Matrix. Quando se chegou nesse entendimento houve uma separação fundamental: surgiu a química moderna e a metafísica. Hoje fala-se em físico/química e caminha-se para a metafísica. Isso levará uns séculos para se chegar nesse ponto, mas está em andamento.

Enquanto isso é preciso entender como os alquimistas pensavam se quisermos ter os mesmos resultados que eles. Tudo é uma projeção mental. A Realidade Última não é o que vemos. Ainda. Cada vez que aumentamos a claridade de pensamento, que despertamos, damos mais um passo para chegar perto do nível de vibração da Realidade Última. Cada experimento que faziam tinha uma contraparte psicológica evidente. E foi por isso que descobriram como funciona tudo o que existe. Porque eles enxergavam as duas faces da moeda: o experimento químico mostrava o interior de si mesmos. Mostrava todas as nuances das suas próprias vidas. O que acontecia, o momento em que acontecia, porque acontecia, as consequências, o que vinha em seguida, etc. Tudo ficou claro com o passar dos séculos de pesquisas até que entenderam e pararam com os experimentos. Foi imprescindível que fosse assim. Somente testando na vida material poderiam tirar as conclusões metafísicas do que viviam. Todos os livros antigos com suas ilustrações alquímicas mostram que eles entenderam perfeitamente. Tudo isso hoje já está muito bem analisado. Mas, da mesma forma que naquela época, sempre existem profundas implicações neste conhecimento.

A Alquimia descreve uma transformação interior, psicológica, mental, emocional, espiritual, que todo ser atravessa durante a vida. Os procedimentos podem não ter a mesma sequência para cada ser, podem acontecer vários ao mesmo tempo, mas o resultado final é o mesmo. Todas as manipulações químicas que faziam era para chegarem no âmago da matéria, a prima matéria, a origem de tudo. Eles sabiam que tudo se originava de uma coisa primordial. Hoje falamos em energia primordial que gerou o Big Bang. Eles não conheciam a física nuclear nem tinham aceleradores de partículas, mas nos seus laboratórios chegaram a mesma conclusão. Precisamos de séculos para chegar no Bóson de Higgs e eles conseguiram esse entendimento muito antes de nós. Por isso pararam de fazer experimentos químicos. Os que continuaram criaram a química. É por esta razão que a Alquimia deve ter profundo interesse para nós. Suas descobertas são mais atuais do que nunca. O entendimento da realidade implica na solução de todos os problemas e na prosperidade infinita.

Quando falavam do vaso hermético, por exemplo, falavam que “um é o vaso”. É a mesma coisa que hoje se fala em Oceano Primordial. Todo o simbolismo usado é para falar exatamente isso. Todos os procedimentos são para que se entenda isso e que se sinta isso. Jung comenta que esse vaso é uma espécie de Matrix do qual nascerá a Pedra Filosofal. Mais uma vez a trilogia Matrix fala a mesma coisa em outros termos e mostra o mesmo resultado. E por isso a conclusão da trilogia foi criticada. Vejam que mesmo fazendo um filme de forma mais clara do que os alquimistas escreviam o resultado foi o mesmo. Foi rejeitado. É por esta razão que eles faziam propositalmente de forma obscura. 

Existe um tratado de alquimia de nome: “A Física e a Mística”. Isso mostra sem sombra de dúvida que eles sabiam do que estavam falando e o que faziam. Quando os séculos passaram o trabalho deles tornou-se metafísica (física e mística juntos). Jung pergunta porque eles faziam experiências de laboratório se o objetivo era outro. A resposta é que eles faziam isso exatamente da mesma forma que fazemos hoje num acelerador de partículas. Para descobrirem como funciona tudo e quando descobriram pararam de fazer as experiências. E o conhecimento ficou mais hermético ainda na metafísica. Eles não desistiram. Apenas que descobriram o que queriam. E a pesquisa passou para outro nível que não precisa de laboratórios. É puramente mental. Foi essa longa experiência que permitiu a que hoje se entenda que tudo o que existe é mental. Graças a eles temos esse conhecimento hoje em dia. 

Eles projetavam o inconsciente na matéria para poder entender o inconsciente. Sabiam de forma intuitiva que o Self estava no cerne da matéria. Foi um caminho puramente ocidental. Outros povos entenderam isso apenas com a meditação, mas o ocidente tem o arquétipo do empirismo. Um complementa o outro. O insight de que o inconsciente está na matéria foi fundamental. Jung diz que pode ter sido de forma involuntária. Talvez eles já soubessem o que outros povos já sabiam e resolveram seguir outro caminho de pesquisa para provar de outra forma. O fato é que chegaram nas mesmas conclusões. 

Jung explica que a projeção não é feita, ela acontece por si mesma. Ela é. Fazemos a projeção de qualquer maneira, quer queiramos ou não. O alquimista vivenciava o próprio inconsciente quando fazia as experiências. Tudo que vemos, sentimos, é uma projeção do inconsciente. É por essa razão que é extremamente importante purificar o inconsciente e isso é o que fazem os procedimentos alquímicos. E isso os alquimistas sabiam muito bem. Toda teoria criada sobre o desconhecido é uma projeção. Não há base de comparação com nada. É o desconhecido. Só podemos projetar o nosso interior para podermos entender algo sobre aquilo ou tentarmos entender. Isso é o que se chama teoria na ciência. E as teorias são aprimoradas continuamente já que cada cientista faz uma projeção mais aproximada da Realidade Última. Mesmo quando Niels Bohr fala que não trata da Realidade Última, ele forçosamente está tendo de tratar dela. Toda teoria de física em última instância é sobre a Realidade Última. Da mesma forma que a Alquimia. Além do que nos experimentos de laboratório os alquimistas tinham “visões”. Até que ponto essas “visões” não eram vislumbres da outra dimensão? Até que ponto essas visões forneceram os conhecimentos que permitiram que chegassem às conclusões que chegaram? 

Jung escreve uma frase realmente impressionante nesse ponto da sua análise: “A matéria forma-se por efeito da ilusão – necessariamente, a do alquimista. Esta ilusão poderia ser a “vera imaginatio” (imaginação verdadeira) que possui o poder “de informar””. Ele intuiu ou sabia que a Realidade Última in-forma tudo o que existe. Por isso os sonhos contêm tanta informação sobre a pessoa que sonha. Porque os sonhos também estão in-formados. É neste ponto que a Iluminação Espiritual é um trabalho alquímico por excelência. E precisa de uma infusão da Realidade Última para que se possa completar. É desta forma que surge a Pedra Filosofal.

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