domingo, 24 de julho de 2016

Prosperidade e Alquimia XI



Prosperidade e Alquimia XI

Sublimatio

Sublimatio é o procedimento do elemento ar. Não tem nada a ver com a sublimação de Freud. Que é uma compensação, troca, substituição de um sentimento ou impulso por outro.

Sublimatio é elevar o espírito em direção ao Todo. É a busca da perfeição, da união, da unificação, soltando tudo pelo caminho. Sabemos quem é a pessoa pelo que ela solta. E para isso a pessoa precisa conhecer a si mesma. Somente assim ela será dona de si mesma. Isso tem de ser feito de forma consciente e intencional. 

Pensava-se que era preciso espiritualizar o corpo, mas a questão é outra. O corpo já está espiritualizado. Somente a pessoa não percebe isso. A substância última do corpo, a prima matéria, é o Todo. Tudo já está espiritualizado. O que falta é o reconhecimento disto. A questão aqui é que esse reconhecimento muda tudo. E mudança é uma coisa da qual o ego foge desesperadamente. A manutenção do status quo é uma coisa sagrada para o ego. A zona de conforto é sagrada para o ego. Tudo que ameaça isso é visto como a coisa mais perigosa que existe. Por isso a Alquimia foi relegada ao esquecimento praticamente.

Para fazer a Sublimatio é preciso um certo distanciamento da realidade. Soltar a realidade para poder olhar em perspectiva. Exatamente como fazem os historiadores. Um dos maiores desafios dos historiadores é determinar o grau de ignorância de uma época. Porque as pessoas agiam daquela forma? Com a visão de hoje fica fácil dizer que deveriam ter feito assim ou assado, mas o que ignoravam naquela época? E o que ignoramos hoje? Os mesmos erros são cometidos por causa do que é ignorado hoje.

A Sublimatio é soltar. Elevar-se, desapegar-se, etc. Fazendo isso conseguimos dar saltos evolutivos e ao mesmo tempo ficamos mais eficientes para lidar com os problemas concretos do dia a dia. Quanto mais a pessoa solta mais produtiva é. É uma coisa óbvia. Se colocamos pressão e ansiedade dificultamos tudo, pois fica uma coisa antinatural. Um time de futebol que entra em campo desesperado para ganhar dificilmente ganhará. Fará tudo de forma precipitada, atabalhoada, cada um tentando resolver por si mesmo, sem jogar em conjunto, com pressa e sem eficiência. Ao contrário se o time entra em campo alegre e feliz por simplesmente jogar bola fará tudo com a maior eficiência possível. Se ganhar ganhou se perder perdeu, está tudo bem. Deu o melhor de si. É isso o que importa. No seriado “Spartacus”, na última batalha há uma conversa entre Spartacus e o General Romano, que diz que ele já perdeu. Spartacus responde que lutará o melhor que pode e que isso é o que importa (citado de memória). E é exatamente isso que importa. Lutar o bom combate. Spartacus lutava pela liberdade própria e dos demais escravos. Isso é Sublimatio. Já havia deixado para trás a própria vida. Quando não atravessou os Alpes já sabia que não tinha como vencer o Império, mas o importante era o exemplo. E por isso é lembrado até hoje!

A Sublimatio é a busca pela Pedra Filosofal. A única coisa que realmente importa. Para isso é preciso uma total transformação interna da física do ser. Limpar todos os átomos, quarks, etc. E isso deve ser feito conscientemente e facilitando a limpeza. Mais uma vez: o ego foge disso de todas as formas. Praticamente nenhum ego faz isso de livre e espontânea vontade. Somente depois de muito sofrer é que decide soltar. Exatamente como o empresário que precisa falir para soltar a pressão que põe nos negócios. Ou aquele que quer pagar as dívidas e não consegue relaxar. Quanto mais pressão puser menor o resultado. As dívidas já são um sinal de pressão que se pôs para ter resultados. Quanto mais se pensa nas dívidas mais dívidas aparecem. É preciso soltar tudo. Então pode-se trabalhar com alegria e resolver tudo. Além do bem e do mal. Além das dívidas. Além dos resultados. Além de ganhar ou perder. Na verdade, a ansiedade é o cozimento da Sublimatio. O ego é cozido até ficar no ponto em que solta tudo. Se o ego soltar antes não precisa ser cozido. O ego se desespera por não conseguir o que quer. E é assim que no fim ele soltará tudo. Só que não é preciso ser desta forma. É possível soltar antes.

Fala-se que o espírito está preso na matéria. Ele somente está preso por causa do apego. Se soltarmos conscientemente podemos entrar e sair da matéria e trabalharmos dos dois lados da realidade. É o apego que impede isso. A Sublimatio é esse desapego. Pode-se chegar nisso em pouco tempo ou levar muitos milênios. A questão é que a Sublimatio está funcionando o tempo todo. O ego está sendo trabalhado para soltar. Lentamente, gradualmente, segundo a segundo, encarnado ou desencarnado, a roda gira sem parar. Como um bebê que ao nascer é muito pequeno e indefeso, mas segundo após segundo ele cresce. Sem perceber os pais verão aquele bebê tornar-se um adulto. Continuarão se referindo a ele como a criança, mas já é um adulto. Amadureceu dia a dia. A Sublimatio faz isso. Só que em termos de milênios. O bebê pode impedir seu próprio crescimento? Não. É a vida. Ele terá de crescer. Da mesma forma a Sublimatio atua.

É preciso soltar. Mas, não é uma coisa de soltar o mundo material ou a Terra e romanticamente querer voltar para o lado espiritual ou dissolver-se no universo ou descansar pela eternidade ou qualquer outra concepção. Pode-se ficar preso do lado espiritual, ter apego no lado espiritual da mesma forma que tem apego aqui. Ou pode-se ter apego a ficar em alguma das dimensões da realidade ou nas dimensões astrais inferiores. O problema é o apego. Não é o local, nem o emprego, nem qualquer outra condição. “Estar no mundo e não ser do mundo”. Somente assim se pode fluir com o universo. Fluir é viver intensamente o momento presente, estar focado no aqui agora totalmente, focado no que faz. O sentimento de fluir é o que se costuma chamar de felicidade. De estar feliz naquele momento. O segredo aqui é focar no aqui e agora. Como o Zen explica. O arqueiro que se torna um com o arco e a flecha. O dançarino que se torna um com a dança. O musico pelo qual a música passa por ele. Ele é um com a música, um com o arco, um com a bola e a cesta de basquete. Por isso são cestas sagradas. Essa unificação é ser feliz. Isso é soltar todo o resto. E isso pode ser feito em qualquer situação: comendo uma refeição podemos estar totalmente centrados no alimento e na sua realidade, sua textura, seu aromo, seu paladar, etc. Centrados no trabalho que estamos fazendo de uma maneira que não sabemos mais se é noite ou dia, se temos fome ou não, se estamos cansados ou não. Esse focar desta forma é a Sublimatio. 

Essa forma de ver a realidade permite também dissociar-se de si mesmo. É possível estar centrado no ato e ver-se de fora. Sair do corpo e ter a visão da perspectiva global. Entrar e sair do corpo à vontade. Tornar-se um corpo ou ficar sem forma. Adotar a forma que se quiser mantendo a consciência intacta. Isso tem de ser feito de forma consciente. Não é uma fuga da realidade. É estar focado na realidade. Quem foge da realidade voltará a ela de uma maneira ou outra. Nenhuma fuga funciona. Nenhum meio de fuga funciona. 

Todo ritual de morte/renascimento é para provocar a Sublimatio. Para que a pessoa consiga ver o grande quadro da vida. Entender todas as correlações, administrar todas as variáveis. Neste ponto entram os Arquétipos que nos permitem vivenciar existências eternas sem limite de tempo e espaço. Podemos partilhar da vida do Arquétipo como ele também pode da nossa. É uma troca em que todos ganham. Podemos ter a vivência eterna do espírito ao mesmo tempo que temos uma vida temporal no continuum espaço/tempo. Não é preciso libertar-se da matéria ou do corpo. É estar além. O Todo já está em tudo. É irrelevante a forma. Essa é a libertação final.

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