sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A senhora que soltou




A senhora que soltou

Durante a vida inteira uma senhora teve uma disputa com outra pessoa sobre um determinado bem. Embora ela não quisesse disputar aquilo a outra queria a disputa. E isso estava estragando completamente a vida da senhora. Depois que os problemas chegaram num nível insuportável a senhora começou a analisar a questão de soltar o bem. Meses depois ela chegou à conclusão de que o melhor para ela era soltar o bem completamente. Fez isso e deu o bem para a outra pessoa. E o problema foi resolvido de vez. Um problema da vida inteira e que comprometia sua vida inteira.


Este é um pequeno exemplo (sem maiores detalhes para garantir o anonimato das pessoas) que mostra mais uma vez que a única solução é soltar. Isso foi enfatizado intensamente a 2500 anos atrás.  Só que isso vai contra todos os princípios do Cérebro Reptiliano (Complexo-R). Soltar é a coisa mais difícil que existe. E também a única solução que existe. Este é o dilema do ser humano.


Todo escravo só pode ser escravo se tiver apego à alguma coisa. É uma coisa evidente por si só. Quando uma pessoa não tem apego a nada como ela pode ser escravizada? Impossível. Então se alguém quer ter escravos fará de tudo para que os escravos não conheçam a filosofia de soltar. No dia em que o escravo começa a analisar isso ele entrou pelo caminho da liberdade. Será uma questão de tempo para que chegue à conclusão de que soltar é o melhor. É o que acontece com todas as pessoas que ouvem pela primeira vez o conceito e começam a analisa-lo já que estão sofrendo muito. Praticamente ninguém solta sem estar sofrendo muito. Poderia soltar sem sofrer, mas poucos chegam nessa conclusão sem antes sofrer muito. As vantagens de soltar são evidentes por si só. O valor da liberdade é óbvio, mas só para aqueles que são escravos. Quem acha que é livre não consegue avaliar isso, pois acha que não é escravo. Ou ainda tem alguma zona de conforto sendo escravo. Este é um fato.  Alguns escravos gostam das correntes que prendem seus pés!


A liberdade tem um preço alto. Um preço que nem todos querem pagar. A questão é que mais cedo ou mais tarde o sofrimento da escravidão torna-se insuportável. É questão de grau. Uma rã numa panela em fogo brando não sentirá nada no início, mas quando perceber que esquentou será tarde. A conscientização virá de um jeito ou de outro. Normalmente é preciso sofrer muito para tornar-se consciente de uma situação insuportável.


Para encontrar a solução de problemas sérios é preciso soltar o ego. Isso significa que o ego será alinhado com a Centelha Divina. O ego não desaparece. Ele é assimilado pela Centelha. Torna-se um com a Centelha. Em termos práticos o ego deixou de controlar a situação. Ele observa, mas ele não manda mais. Os interesses particulares do ego não são mais dominantes. Ele está à serviço da Centelha.  Isso é a morte do ego e por isso ele foge disso de todas as formas. Mesmo que esteja sofrendo atrozmente. O ego quer continuar no comando. É uma luta inglória porque no final o ego terá de ceder. Só que até lá um longo tempo passou e passará.


A senhora poderia ter resolvido isso muito tempo atrás, mas para que o conceito fosse aceito precisou chegar numa situação quase que irreversível de sofrimento. Daí houve abertura de consciência para analisar o conceito de soltar. E mesmo assim ainda leva meses para decidir soltar. O ego tenta de todas as formas racionalizar a situação para encontrar uma saída que não seja soltar. A primeira coisa que vem na cabeça é que é injusto soltar. A outra pessoa não merece aquilo. Só que a outra pessoa tem poder suficiente para disputar aquilo. E quando nos deparamos em uma disputa com alguém de poder a única forma é soltar. Solta a túnica e a capa. Anda duas milhas ou mais. A disputa só trará mais sofrimento. Chega uma hora em que o custo/benefício não compensa de forma alguma. É preciso soltar antes que se chegue nesse ponto.


O desapego é a única solução. Nunca é demais repetir isso. Ad eternum.


Toda armadilha só funciona porque existe um ego que quer alguma coisa. E para de pensar sobre as condições em que aquilo está sendo oferecido. A razão para de funcionar. Fica cego pela possibilidade de ter mais aquilo. Uma pessoa completamente desapegada como pode ser influenciada a fazer algo? Impossível. Não há nada que ela queira. A motivação é totalmente interna. Já desapegou de tudo externamente. Embora ainda use coisas para vestir, coma alimentos e durma debaixo de algum teto. Mas, isso não significa nada para a pessoa. Essa pessoa é infeliz? Não. Pelo contrário. É completamente dona de si mesma. Nada pode influencia-la. Somente seus objetivos internos tem importância para ela. É lógico que para chegar nesse ponto é preciso muito tempo de vida. A sabedoria não é uma coisa que vem logo. Sabedoria é conhecimento vivenciado. E vivenciar demora. Porque a pessoa terá de passar por todas as situações para chegar nas conclusões evidentes. Soltar é uma dessas conclusões. E a mais difícil delas.


O dilema é que só quando se solta é que se tem. Somente quando o vendedor solta o cliente é que ele vende. Somente quando se solta a ansiedade é que se tem resultados. Somente quando se solta o medo é que se é livre. Somente quando se solta o ego é que o ego é livre. O ego é escravo de si mesmo. Também. Quero porque quero! Esse é o lema do ego. A lei do ego. Quero porque quero! Se perguntarmos porque quer assim dirá que não interessa. Quer e pronto!  Pode-se dar todas as razões de que aquilo não é bom para a pessoa, mas ela dirá que quer mesmo assim. Mas, eu quero! Toda vez que se prende se perde e toda vez que se solta se ganha. Só que é muito difícil o ego entender e aceitar isso.


O “Senhor dos anéis” é uma história que mostra isso. Quanto sofrimento tem de passar uma pessoa para poder destruir o anel? E todos os obstáculos que aparecem para impedir a destruição do anel? Pois quem usa o anel é dominado pelo ego.


E as crenças estão no mesmo nível do Anel. Tão poderosas quanto. As crenças escravizam o ego. O que o ego acredita torna-se a realidade da pessoa. Basta acreditar para ser real. O que se pensa que é real é real. Só para aquela pessoa. Mas, para a mente dela é real. Vivemos num universo mental, portanto a realidade é a realidade que existe na mente da pessoa. Até que a realidade objetiva se imponha. Uma pessoa que ache que um monte de terra é um monte de ouro, lutará de todas as formas para possuir aquele monte de terra. Mentalmente não enxerga que é terra. Acha que é ouro. E toda tentativa de mostrar o contrário não funcionará até que haja uma conscientização. Uma quebra da dissonância cognitiva. Uma catarse. Um evento traumático. Uma perda. Um sofrimento. Nesse momento a pessoa enxerga que é terra. E solta.


Quando se fala crença pode-se pensar que estamos falando de crenças religiosas. Tal a crença de que crença só pode ser sobre assunto religioso! Como a pessoa deve dirigir no trânsito? Isso é uma crença. Como ela deve gastar o dinheiro que ganha? É uma crença. Como deve trabalhar? É uma crença. Como deve tratar as pessoas? É uma crença. Como deve pedir algo no mercado? É uma crença. Como deve pegar o dinheiro para pagar no caixa? É uma crença. Se receber troco a mais o que fazer? É uma crença. Como engraxar os sapatos? É uma crença. Como usar garfo e faca? É uma crença. O que ler? É uma crença. Que profissão ter? É uma crença. De que se alimentar? É uma crença. Tudo que fazemos depende de uma crença qualquer. Vivemos de acordo com as crenças que temos. Desde a forma de levantar da cama de manhã, vestir a roupa, pegar as coisas, dirigir o carro, entrar no ônibus, cumprimentar os colegas de trabalho, forma de trabalhar, etc. Tudo tem uma crença por trás. Provavelmente todas inconscientes. Já estão automatizadas. O subconsciente já “pilota” a vida da pessoa automaticamente. Mas, as crenças estão lá. Controlando a vida da pessoa e fazendo com que sejam realidade. Se a pessoa acha que tem crise econômica terá crise. Se acha que não tem crise não terá crise. Mas, é muito difícil de aceitar isso. E isso também é uma crença!


A única forma de se livrar dos condicionamentos (crenças) é questiona-los. Analisar os resultados e ver se são condizentes com o que se espera. Os resultados são a realidade objetiva. Olhar em volta e ver os resultados dos demais. Os da própria pessoa é claro que ela acha que são normais; já que ela mesma está criando aquilo com a própria mente. Somente quando vemos os demais é que podemos comparar. Temos um referencial. Achamos que existe uma crise econômica, mas se conhecemos alguém que não está em crise, temos de nos perguntar o que está acontecendo com aquela pessoa. A crise não é para todos? A crença diz isso, mas estamos vendo que não é bem assim. Tem gente que continua crescendo. Então tem algo “errado”. A crise não é para todos. Mas, para chegar nessa conclusão será necessária uma troca de paradigma. Uma mudança de sistema de crenças. Questionar as próprias crenças. Questionar os condicionamentos desde que nascemos e nem lembramos mais que foram postos em nós. Só que esses condicionamentos (crenças) estão bem vivos no inconsciente e aparecem nos resultados e comportamentos. Se uma pessoa dirigindo um carro entra numa contramão conscientemente o que significa isso?


É indispensável ter autoconhecimento. O autoconhecimento permite enxergar as crenças e assim podemos muda-las. Crenças são apenas as coisas que acreditamos. Não são a verdade. A Terra é plana. Se velejarmos para o oeste cairemos pela borda da Terra. A maioria das pessoas acreditava nisso a 500 anos. Foi preciso muito trabalho para provar para as pessoas que a Terra não é plana. Uma foto tirada do espaço prova isso, mas a pessoa pode acreditar que a foto é uma montagem e que a Terra é plana! Crenças são muito difíceis de se mudar. Crenças são confortáveis. Tornam o mundo conhecido. O ser humano detesta o desconhecido, pois tem de sair da zona de conforto e isso dá trabalho. Terá de elaborar um novo sistema de crenças que se adeque à nova realidade percebida. Isso implica em mudar os caminhos neurais no cérebro e nenhum cérebro gosta de fazer arrumação nele mesmo. É como ficar na casa no dia da faxineira. É complicado!


Só que a única saída que existe é o autoconhecimento. A autoanálise sem tréguas de si mesmo. Isso é facilitado quando duas consciências se encontram. Colidem com suas ondas de consciência. Essa colisão eleva ao quadrado o resultado das duas consciências e assim elas dão saltos de consciência. Ganham mais complexidade. Expandem-se. O contato de duas consciências é que propicia a evolução e o conhecimento. É por isso que soltar fica muito mais fácil quando alguém lhe explica o que significa soltar. As consciências iluminam-se mutuamente e ambas crescem.

Hélio Couto
www.opoderdesoltar.com.br

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