domingo, 5 de janeiro de 2014

Agenda Reptiliana II



Agenda Reptiliana II

O filme “Muito mais que um crime” de Costa-Gravas é extraordinário na descrição dos mecanismos psicológicos que racionalizam e banalizam a barbárie e a tortura.
A dessensibilização da humanidade é um dos objetivos principais deles. Fazer com que as pessoas não reajam mais ao mal e a maldade institucionalizada foi um processo e um planejamento executado por milênios, mas no século XX atingiu praticamente a perfeição.
Quando o sogro fala que ele não conheceu monstros e sim homens está dito tudo! Esta avaliação só pode ser feita quando a maldade se tornou normal e entre iguais ela não é reconhecida. Eles são iguais e portanto são convidados para trabalhar juntos.
O pai jamais reconhece que fez algo errado. Para ele aquilo é normal. E o que ele fala? Que é um pai que cuidou dos filhos e adora no neto e etc. Na família ninguém reconhece quem ele é. Ele é absolutamente normal. E vejam que ele jamais reconhece que errou. A questão é que num determinado contexto partes de sua personalidade vieram à tona e fora daquele contexto ele é pai, marido e avô excelente. Qual o percentual de seres humanos que são exatamente iguais à ele?
É por isso que a tortura esta banalizada nos filmes atuais. É normal. É o certo. A tortura é feita com a justificativa de que é pra proteger outros. Mas, isso é exatamente o que o pai pensava na Segunda Guerra. É isto que é passado para todo mundo. E qual a reação à banalização da tortura?
E a questão da filha? Por que ela não suporta a situação? Para ela deixar passar em branco o que o pai fez seria preciso que ela fosse igual à ele. E isso ela não consegue. Ela não tem como absorver a verdade e continuar como se nada tivesse acontecido. Ela não foi contaminada pela banalidade da maldade. Para ela só há um caminho e é o que ela faz.
É um filme que todos deveriam ver. Existem n questões levantadas de passagem e que são fundamentais para entender o mundo de pós Segunda Guerra. E completamente atual. Tudo que aconteceu no século XX não foram eventos isolados. São um processo em andamento.
O último filme de Costa-Gravas, “O Capital”, está sendo anunciado para entrar em cartaz brevemente em São Paulo. Este filme é da mais absoluta atualidade no mundo. Se este filme tiver público que garanta várias semanas em exibição, seu impacto na mudança da percepção da realidade pode ser extremamente importante para tornar este mundo melhor.

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