sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Vestígios do dia



Vestígios do dia

Existem algumas cenas de filmes que são arquetípicas. Cenas que marcam uma geração. No filme “Matrix” temos a cena em que Morpheus oferece as duas pílulas para Neo.
No filme “Vestigios do dia” com Anthony Hopkins temos a cena em que o dono da casa está conversando com dois convidados e chama o mordomo. Os convidados estão conversando sobre política europeia antes da Segunda Guerra. Quando o mordomo vai se retirar um dos convidados faz três perguntas ao mordomo e este não sabe responder nenhuma delas. Então o convidado que fez as perguntas diz ao dono da casa: “e são milhões iguais a este que votam”.
Esta cena é muito importante. Ela diz muita coisa sobre a humanidade. Existem os “milhões que votam” e existem os que decidem o que acontece. Os “milhões que votam” não sabem sequer do que os convidados estão falando. E são estes convidados, seus colegas e amigos, que decidirão fazer a Segunda Guerra onde 60 milhões “que votam” morrerão.
E assim é com todas as guerras, todas as “crises econômicas”, todas as decisões que afetam as vidas dos “bilhões que votam”.
Existe um ditado que diz que “conhecimento é poder”. Esta é uma absoluta verdade. Sem conhecimento uma pessoa está numa posição de escravo de outrem. Perceba isso ou não. O controle sobre a própria vida será praticamente nulo. Será um servo ou um “lulu” como os sumérios falavam.
Nunca foi tão fácil obter conhecimento como hoje. Existem “sebos” de todos os tipos que vendem obras fundamentais por um preço mínimo. E existe um acervo gigantesco de informação na Internet virtualmente de graça. E o que isso mudou? Praticamente nada. Se nós fizermos aquelas três perguntas para a maioria absoluta das pessoas em qualquer rua de qualquer cidade do mundo, teremos a mesma resposta do mordomo. E estamos em 2013.
Será que as pessoas não percebem que sem conhecimento são escravos? Será que entendem que adquirindo conhecimento serão livres? Será que não acreditam que podem ser livres? Ou já se conformaram em ser escravos? Ou elas acham que já entenderam como funciona o planeta Terra? Será que as pessoas vivem em “silencioso desespero” como disse Thoreau? E acham que não tem saída para suas vidas? Ou acham que é assim mesmo que é a vida?
A questão é que existe uma atitude que poderia mudar tudo. “Não jogar para debaixo do tapete” quando percebe que não conhece um determinado assunto. Procurar estuda-lo até que esteja consciente de tê-lo entendido.  Só que para entender algo é preciso raciocinar, usar a razão. Caso contrário ficaremos com as meia-verdades ou mentiras. E é fácil saber se algo é verdadeiro ou não. Basta verificar se funciona ou não. Vejam a situação do planeta Terra. Será que a humanidade desconfia de que tem algo errado na administração deste planeta?
O mordomo frequentou uma escola? É claro que sim.  E não entende o que os convidados conversam! Portanto o que ele aprendeu na escola é suficiente para que ele seja mordomo. Nada mais. E isso é que ele tem de entender para poder sair da situação que está. Ou ele não quer sair da situação que está? Está bom do jeito que está?
A atual crise econômica foi criada durante 25 anos. Quem percebeu que ela estava sendo criada? A mesma situação do mordomo e os convidados. Os que criaram são a meia-dúzia que sabe fazer as perguntas. E criar a “realidade”. Os demais pagarão a conta. Leiam “O sequestro da América”.
Muitos dirão que não tem tempo para estudar ou que não tem dinheiro. É exatamente assim que querem que as pessoas pensem. Tempo é uma questão de prioridade. Todos podemos dispor de alguns minutos para ler um livro que realmente faça a diferença. E quanto se gasta de tempo com “divertimentos” que não acrescentam nada?
Existem duas classes de pessoas neste planeta. Temos a “classe média” que teria condições de ler e aprender como funciona o mundo. E temos a classe que mora nas periferias que não tem tempo, nem dinheiro, nem condições, nem estudo para entender sequer que é possível mudar isso. Essas duas classes de pessoas já introjetaram a crença de que não é possível resolver os problemas deste planeta. E quando acontece isso é praticamente impossível expandir a consciência de uma pessoa que acha que já sabe tudo. Mesmo quando se explica detalhadamente e maciçamente que é possível a mudança e como faze-la, a pessoa resiste à qualquer mudança que leve à solução dos seus problemas.
Como disse Dostoievsky no conto “O Grande Inquisidor”, o livre-arbítrio é considerado a pior maldição da humanidade. Ter de decidir a própria vida é algo que a humanidade detesta. É muito mais fácil receber ordens. Todas as crianças na mais tenra idade deveriam ler este conto. Daí elas entenderiam o que aconteceu com Jesus e porque aconteceu. E o que aconteceria de novo. E de novo. E de novo...
Até quando?

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