segunda-feira, 5 de março de 2012

Retorno



                                      Retorno

Tenho estado ausente do mundo
 e de mim mesmo,
como se nada mais importasse
ou merecesse o meu olhar.

A lembrança da vida pretérita
Corroeu-me por dentro
como  a ferrugem insidiosa
que, aos poucos, tudo destrói.

Impiedosa, como uma ferida mortal,
Roubou-me o sopro inspirador,
O sorriso outrora fácil
e o ímpeto de viver.

A dor ainda insiste
E, teimosa, permanece
feito hóspede que chega,
sem dizer o dia em que parte.

Jamais pensei ser capaz
de abrigar tamanha tristeza.
Mas a acolhi e a respirei
como se fora meu último alento.

Os braços que um dia o receberam
e ofertaram o melhor de mim,
Fecharam-se para a vida,
no desespero da minha solidão.

Contudo, meu querido,
não cobro mais  a sua presença
ou imploro por seu amor
pois sei que estamos distantes.

Separados por sua indiferença,
uma linha tênue, mas forte o bastante
que aparta, hoje, os corações
 que antes vibravam na paixão.

Vagarosamente, percebo
que  nada criamos juntos
 a não ser a morte de algo
que nunca chegou a existir.

Preciso cuidar da vida
e, por isso vejo-me obrigado
a soltar suas mãos e permitir
que siga a trilha que o afasta de mim.

Aos poucos, volto a me abrir
para os amigos que sempre estiveram aqui.
Começo a recordar a beleza que tanto buscava
E que pensei ter, irremediavelmente, perdido.

Poder falar outra vez
 dá-me novas forças e
a esperança , então, ressurge
em  meu espoliado coração.

Que fome de viver dias melhores!
De voltar a sorrir
e  amar como antes
Ou talvez mais e melhor...

Sei que vou conseguir por que
vozes se levantam a meu favor.

Rever os alvos e perfumados lírios,
ao som dos melodiosos noturnos
é o bálsamo para  minhas feridas
Ainda abertas e sangrantes.

O medo de voltar a sofrer
é um fantasma que ainda me assombra.
Reconheço, no entanto,
que o  amor pode mais.

Ele vem de fontes inesperadas
por caminhos improváveis.
E hoje, a confiança nasce
após um longo e estranho flerte.

Abre as portas para a alegria
E a emoção de escrever acontece
através de mãos suaves
que uso como se minhas fossem.

A dor, por certo,
 irá temperar minhas palavras
E abrandar o sarcasmo habitual
que julgava decadente e moribundo.

Mas estejam atentos, hipócritas
pois retornei ainda mais desafiador.
Ciente de que este é só o começo
De um longo caminho de volta.

                        Oscar Wilde
                                                                           






3 comentários:

Anônimo disse...

Que privilégio poder ler um texto deste maravilhoso Oscar Wilde!! O que poderíamos fazer para ajudá-lo a se abrir outra vez, e mandar embora essa tristeza?

Anônimo disse...

Seja bem vindo, obrigada por estar aqui.Alma.

Ananda disse...

Copland:
http://www.youtube.com/watch?v=i1za5qebqqo

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