sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um negro com pele branca


Um negro com pele branca

Lembro-me de uma vez em que uma escola de samba em Guaratinguetá parou para tomar água em frente de minha casa. Papai era amigo de um dos diretores e toda a escola entrou em casa. Provavelmente umas 300 pessoas. Eu tinha uns 10 anos naquela época. E fiquei fascinado com todas as fantasias, cores, alas e principalmente com a bateria.
O som de uma bateria de escola de samba é algo que arrepia e faz bater forte o coração. O som do batuque é arquetípico, ancestral, telúrico... Traz nossas emoções do fundo do inconsciente.
Quando se fala de bateria é inevitável vir à lembrança o inigualável Mestre André, da Mocidade Independente de Padre Miguel. Se não me engano, ele teve a ousadia de parar a bateria no meio do desfile e depois recomeçar. E uma bateria do porte de uns 300 músicos não é para qualquer um parar e recomeçar. Só um mestre.
Sempre ia aos ensaios da escola, enquanto morei na minha cidade. Convivia com brancos, mulatos e negros. Um dos meus melhores amigos era negro.
Quando ai aos bailes dançava com brancas e negras indistintamente.
Para mim isso era o normal. Todos são humanos. Não via nenhuma diferença entre nós, brancos e  negros. Tínhamos os mesmos problemas, mesmos sonhos, mesmas idéias, inteligência e tudo o mais.
Desde cedo li biografias para entender o sucesso dos grandes homens. Lia de tudo. Li um dia a autobiografia de Sammy Davis Jr.. Nela ele conta que só descobriu o preconceito racial com 18 anos de idade. Até lá nem sabia que isso existia. Mas, com 18 anos percebeu o olhar diferente dos brancos. Eu também percebi isso quando dançava com as negras. Era como uma heresia.
Fizemos a pesquisa para a palestra sobre Escravidão e descobrimos a história encoberta. A história que a maioria quer esquecer. Como se nunca tivesse existido. Continuo pesquisando e descobrindo coisas mais horríveis à cada dia de pesquisa.
Por exemplo: um proprietário de mina de ouro faz uma negra engolir um liquido inflamável e depois põe fogo na boca dela; que morre com a faringe e estomago destruídos. Outro que gostava de quebrar a coluna vertebral dos escravos. Outro que usava a chibata com tanto ódio que fazia sulcos de vários dedos de profundidade nas costas das negras, e não parava de bater mesmo quando desmaiavam. Etc. O interessante nesse assunto é que para fazer sexo não havia preconceito de cor! Mas,  talvez não estivessem fazendo sexo com uma humana, já que os negros eram considerados como gado.
Agora estou pesquisando para a próxima palestra sobre Allan Kardec em março. Descobri algo muito interessante. Porque o conceito de reencarnação não foi aceito na América no século XIX, quando foi amplamente divulgado? Por causa do preconceito de cor. Não podiam aceitar que tivessem sido negros ou que no futuro pudessem ser. Desta forma toda a lógica que envolve o conceito, ficar por “água a baixo”, por uma atitude irracional como o preconceito de cor.
E hoje? Isso mudou?

3 comentários:

ana paula disse...

Um dos meus poucos namorados foi o Antonio Carlos. Um negro tão negro que era azul! Minha avó foi rezar na Igreja para Nossa Senhora Aparecida para eu desistir do namoro, quando ela abriu os olhos reparou que a Santa era Negra. Pediu perdão para Deus e aceitou o moço mas ele me disse que a mãe dele era racista e eu era muito branca.....rsrsrs
A Vó Cambina, preta velha que trabalha com minha mãe, desde criança me ensinou a amar e perdoar sempre, sem preconceito e os atabaques....ai meu Deus...é difícil de segurar o coração, o bom mesmo é curtir a alegria e a humildade dos guias de Umbanda. Eu acho que sou uma Negra de pele branca....heheeh

Cristina Kina disse...

Engraçado. Também nunca tive problemas com amizades de outras raças. Até lembro que na época do antigo colegial, tive um grande amigo, o Cláudio, um negro. Um músico. Ambos estudávamos num curso técnico de artes. Ele quem me ensinou a apreciar vários compositores da música clássica antiga e contemporânea, jazz e blues. Saíamos sempre para ir ao cinema ou tomar um sorvete. Mas eu reparava nos olhares: uma japinha com um negro, um casal bizarro! Eu me divertia. E lembro que, quando entramos juntos no cursinho do Anglo Tamandaré, ele era o único negro do prédio. Éramos a atração da galera do cursinho, toda vez que ficávamos juntos. E quando entramos na USP, ele foi também o único negro naquela época. Foi muito bom pra ele. Hoje ele é um grande músico.
Nisso aprendi a respeitar mais e observar o quanto as pessoas perdem por fomentar esses preconceitos.
A abordagem do texto impressiona quando amplia o foco do preconceito sobre a reencarnação. Gerou um arquétipo muito forte aqui na América. Alimentou e alimenta a mente de muitos e infelizmente atrasa muitos processos de conscientização.
Agora fica uma pergunta: não será tudo isso, a partir da escravização (ou antes) e esse preconceito, um processo bem planejado para sabotar o nosso próprio salto quântico?
Deixo aqui bem claro que não quero eximir a minha responsabilidade.
Paz e Luz.

Carlos Rossette Baptista Filho - Carlos do Bem disse...

Muitos autores espíritas, como Baccelli, médiuns e dirigentes de Centros Espíritas são unânimes em afirmar que Chico Xavier é a reencarnção de Allan Kardec, inclusive Dona Guiomar de Albanese, presidente do Centro Espírita Perseverança, do qual eu tenho a honra de ser trabalhador, dona Guiomar conviveu com o Chico desde 1960, Chico orientou sobre a fundação do Centro Espírita Perseverança, inclusive sugeriu o nome, e durante todo o tempo em que viveu visitava o Perseverança anualmente. Chico Xavier era mulato, brasileiro e pobre, escreveu mais de 400 livros, e como diz Emmanuel a Árvore do Evangelho de Jesus foi transplantada do Oriente para o Brasil, Brasil Coração do Mundo e Pátria do Evangelho. O Espiritismo na França, onde nasceu, pátria de Kardec, praticamente não existe. O Brasil é onde o Espiritismo cresceu e floresceu. O Espiritismo não tem discriminação de espécie alguma, é comum ver abrigados sob essa Árvore, as pessoas que as outras religiões descriminam seja por qual motivo for, opção sexual, cor da pele ou outra qualquer... O Brasil com suas características de acolher pessoas do mundo todo,tem a importante missão de ser o celeiro do mundo, celeiro de alimentos materiais e espirituais.

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Ninguém está autorizado a editar meus vídeos e fazer montagens, cortes, adições ou qualquer outra manipulação com as imagens das palestras.

Somente com autorização por escrito alguém pode usar minhas imagens.

Isso já foi dito na palestra passada e já postei sobre isso.

Quem está fazendo isso está prejudicando o trabalho.

Existe uma estratégia de divulgação feita por mim e que está sendo seguida à risca.

Todos os vídeos editados por outras pessoas devem ser tirados de qualquer mídia em que estiverem.

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